Sobre: Dicas, França

Giulio! Come stai, caro? Como estão as coisas aí na Itália?

Hoje acordei com muitas saudades não só de Lyon, mas… do que geralmente comíamos lá!

Por isso decidi te contar alguns fatos que eu fui descobrindo enquanto morávamos em Lyon, mas que acabamos nunca contando um para o outro (inclusive, se souber de mais coisas, comenta e complementa aí embaixo!) 😉

Como a gente bem pode perceber, os franceses são muito orgulhosos de seus pratos típicos e adoram bater um papo sobre comida: ingredientes, texturas, série de pratos (a típica entrada, prato principal, queijo/sobremesa), qualidade dos alimentos que utilizam.

Um dos restaurantes 'lyonnais' (esse aqui eu nunca fui, mas achei a fachada muito charmosa!). Fonte: Acervo Pessoal.

Um dos restaurantes ‘lyonnais’ (esse aqui eu nunca fui, mas achei a fachada muito charmosa!). Fonte: Acervo Pessoal.

Sobre este último aspecto, morando lá pude perceber que existe uma preferência pelo que é de origem local, ou seja, pelos produtos franceses – especialmente se são provenientes de agricultura orgânica. No mercado é muito comum observar esta característica sinalizada nos itens, como algo que agrega valor.

A tradição e a importância envoltos em reunir-se para comer (e no caso, beber também, afinal, o que seria de uma refeição francesa sem um bom vinho!) é tanta que em 2010 a Unesco declarou como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade este hábito social na França. (Fonte: http://www.unesco.org/culture/ich/fr/RL/00437).

E bem, eu, que acredito verdadeiramente que cozinhar é uma arte, uma alquimia fantástica, não podia deixar de compartilhar com vocês algumas experiências gourmandes que tive o prazer de viver! Devo confessar que, apesar de entender (bem) pouco de gastronomia, sou uma grande apreciadora desta forma de manifestação de um povo.

 

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Rue Saint-Jean, uma das principais ruas de Vieux Lyon (e onde há muitos restaurantes/bouchons e lojas tradicionais). Fonte: Acervo pessoal.

 

Lyon guarda muitos títulos, e creio que um dos melhores seja o de capital mundial da gastronomia (Fonte: http://www.patrimoine-lyon.org/index.php?lyon=la-gastronomie-lyonnaise). Além disso, Paul Bocuse, um dos mais renomados chefs do mundo (“papa da gastronomia”), preside não só o Institut Paul Bocuse (escola de gestão da hospitalidade e artes culinárias) como também quatro restaurantes em Lyon (Brasserie Le Sud, Le Nord, L’Ouest, L’Est). Além disso, há em Lyon os Halles de Lyon Paul Bocuse, uma espécie de “mercadão municipal” refinado, onde você encontrará produtos da mais alta qualidade (e sabores incríveis).  Na cidade, o nome dado aos restaurantes típicos é “bouchon”, nos quais a carne de porco e os vinhos Beaujolais ou Côte-du-Rhône reinam nos pratos principais. 

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Exemplos de placas indicativas de qualidade/tradição dos bouchons, localizadas na frente/ ao lado dos estabelecimentos. Fonte: Acervo pessoal.

 

Separei abaixo itens que certamente você encontrará se decidir escolher uma mesa e sentar-se em um tradicional bouchon lyonnais:

– la salade lyonnaise: uma salada na qual, apesar de ser composta essencialmente por alface, bacon, croûtons e o oeuf poché (destaque do prato, é um ovo cozido sem a casca na água) e o que você menos encontra é o alface. Eu particularmente adorei: apesar de não gostar de gema mole, o resultado da combinação é saborosíssimo!

– o saucisson lyonnais, um embutido de carne de porco com diversas partes do animal misturadas (o interior, por exemplo). Acho um prato um pouco pesado (bem gorduroso), especialmente se vier como opção de prato principal após a salada acima;

– la quenelle: uma espécie de bolinho preparado à base de farinha ou sêmola, manteiga e leite (fonte: http://www.patrimoine-lyon.org/index.php?lyon=la-gastronomie-lyonnaise) com sabor de algum tipo de carne (no caso, a que experimentei tinha sabor de peixe – o “brochet”) servidos em um molho (que pode depender de como a quenelle foi aromatizada – no caso, o molho que veio na minha quenelle também tinha sabor de peixe). Não está entre os meus pratos principais, mais todos os franceses que conheci me indicavam fortemente experimentar – e como gosto é algo muito pessoal, também aconselho não deixar Lyon sem experimentar;

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Quenelle acompanhada com arroz (Fonte: http://www.lecaveaudesgourmands.com/es/home/)

– queijos: quando estava em Lyon, li que o “cervelle de canut”, um queijo branco temperado com cebolinha, alho, azeite e outras ervas era típico e logo, procurei lugares para experimentá-lo. Não foi tão fácil encontrá-lo, mas comi na Brasserie Georges e gostei!

– tarte tatin: uma torta com recheio de maçã (o recheio não é muito doce). Apesar de não ser típica exatamente de Lyon, é facilmente encontrada e vale a pena degustar;

Na frente, a "tarte tatin"; no segundo prato logo atrás profiterole!

Na frente, a “tarte tatin”; no segundo prato logo atrás, profiterole! E um Côte-du-Rhône acompanhando… Fonte: Acervo pessoal.

– tarte aux pralines: ao contrário da torta acima, esta daqui é beeem doce! O praline é um doce com castanha e muuuuito açúcar, cor de rosa (na torta, um rosa gritante!), de gosto além de doce um pouco amateigado – uma torta chamativa em todos os sentidos! Experimente também os brioches aux pralines (um pão doce com o praline – achei bem gostoso e menos enjoativo que a tarte!);

Tarte aux pralines, para os amantes de doces! Fonte: http://cuisine.journaldesfemmes.com/recette/310197-tarte-aux-pralines

Tarte aux pralines, para os amantes de doces!
Fonte: http://cuisine.journaldesfemmes.com/recette/310197-tarte-aux-pralines

Acho que ficou fácil perceber que tratam-se de comidas um “tantinho” calóricas, mas que valem a pena serem experimentadas – nem que seja ao menos uma vez :) Quem sabe sua nova paixão não está escondida em um prato?

 

Vieux Lyon e seus "restaurants"!

Vieux Lyon e seus “restaurants”! Fonte: Acervo pessoal.

 

Por último, vale destacar também a elegância das patisseries! Caso você não tenha (porque não querer é bem difícil) muitos euros disponíveis para “investir” em um docinho no final da tarde (em Lyon estão sempre à vista: macarron, tarte aux framboise, brioches, flan), saiba que irá te fazer muito bem parar alguns minutos para apreciar a diversa gama de cores e trabalhada “arquitetura” dos doces franceses expostos nas vitrines. Às vezes me distraía só de olhá-las… !

Espero que a gente possa em breve voltar a comer tudo isso juntos!

Até logo :)

Escrito por Maria Fernanda Marini

Maria Fernanda, 25 anos, formada em turismo pela ECA/USP. Mudar-se de cidade é um "hobby" desde criança. Já viveu em Assis, Curitiba, Castrolanda (Paraná), São Paulo e atualmente mora em Lyon, na França. Apaixonada pelas imaterialidades dos lugares por onde passa: dialetos, culinária, savoir-faire... Grande entusiasta de sistemas de trocas (de roupas, saberes, sofás) e de todo o universo "bio" :)

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