Sobre: Rússia

Oi Raquel!

Como estão as coisas por aí? Essa semana bateu saudade das nossas risadas diárias e do Reveillon mais louco…
Eu voltei da Rússia e resolvi te escrever a primeira de uma série de cartas sobre esse país incrível já que você está planejando a sua viagem pra lá.
Eu sempre sonhei conhecer a Rússia, tava no meu top 3 de países, e o que eu tinha pensado primeiramente era fazer o Transiberiano, você sabe. Mas aí percebi que pra essa viagem precisaria de muito mais tempo, planejamento e dinheiro, então decidi aproveitar a promoção de passagem aérea que consegui pra conhecer melhor as duas maiores cidades do país e deixei a viagem do trem para uma próxima oportunidade.
Bom, vou te contar por etapas como foram os preparativos antes de chegar lá e te passar algumas dicas preciosas que eu consegui reunir:

1. Chegando na Rússia

– Via Brasil: existem voos saindo de São Paulo com destino a Moscow com escala em Paris (KLM e Air France), Londres (British Airways), Zurique (Swiss) ou Madrid (Iberia)

– Via Europa: o que eu fiz foi pegar um voo com a German Wings saindo de Berlin com destino ao Aeroporto de Vnukovo, em Moscow, porque consegui uma promoção ótima (EUR 110 ida e volta).

Existem também algumas outras forma de se chegar na Rússia via França, Alemanha, Polônia, Finlândia e países bálticos (Lituânia, Letônia, Estônia), de trem ou ônibus. Então, se você preferir pegar um voo mais barato pra alguma das capitais e combinar outro país com Rússia, essas são as melhores opções de conexão :)

 

Moscow à noite, no meu primeiro dia na cidade

Moscow à noite, no meu primeiro dia na cidade

Trem Europa - Rússia

Trem Europa – Rússia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dica importante: tente escolher opções de transporte que não cruzem a Bielorússia já que o país exige visto de trânsito no valor de cerca de USD 30 (inclusive para brasileiros).

 

2. Preciso de visto?
Brasileiros não. Desde 2010 está em vigor o acordo entre Brasil e Rússia que isenta brasileiros do visto para permanências de até 90 dias, assim como funciona na União Europeia. De qualquer forma, é sempre bom checar antes de toda viagem se os acordos ainda estão válidos ou não. Para esse propósito recomendo alguns sites:

 

Embaixada da Rússia no Brasil: http://brazil.mid.ru/pt/web/brasil_pt/informacao-sobre-vistos
Embaixada do Brasil na Rússia: http://goo.gl/0GZY5w
Lista de países dos quais o Brasil exige visto (Brasil trabalha com reciprocidade, logo a lista pode servir como um guia básico): http://goo.gl/YHNhjV
Site que mostra quais países exigem visto dependendo da sua nacionalidade (em inglês e serve para qualquer viagem que você fizer): http://www.visamapper.com/

 

Na entrada você só precisa mostrar o passaporte e eles vão te entregar um papel com a data da sua entrada carimbada. POR FAVOR GUARDE ESSE PAPEL MUITO BEM! Eu fiz o favor de perder o meu (ou quase) e passei os últimos dias na Rússia em pânico imaginando a minha desculpa na imigração (é a minha cara fazer isso, já sei). Por sorte encontrei em um bolsinho da carteira no caminho ao aeroporto e ficou tudo bem, mas seja mais cuidadosa que eu, os russos são extremamente bitolados com papéis e burocracias!

Papel da imigração (não perca!)

Papel da imigração (não perca!)

 

3. Qual a melhor época?
Eu fiz a viagem em outubro e simplesmente amei as cores das cidades pintadas em tons de laranja e amarelo no que muitos poetas russos chamam de outono dourado. Estava frio, em média 6-7 graus, mas ensolarado na maioria dos dias. No final da viagem, meio de outubro, começou a esfriar mais e nos dois últimos dias nevou. Acho que foi a despedida perfeita do país já que a memória da neve caindo sobre a Igreja do Sangue Derramado ou na Praça Vermelha em Moscow é inesquecível!
Dizem (e pelo que vi nas fotos) que as cidades cobertas pela neve também ficam lindíssimas, mas aí conta a sua disposição para as baixas temperaturas durante o final do outono/inverno (Novembro, Dezembro, Janeiro).
Se não estiver muito afim de passar frio, recomendo a viagem entre os meses de maio e junho quando acontecem as chamadas noite brancas em São Petesburgo: o sol não se põe até às 22h e o crepúsculo dura a noite toda.

Árvores em São Petersburgo...

Árvores em São Petesburgo…

Neve na Praça Vermelha, Moscow

Neve na Praça Vermelha, Moscow

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4. Quais cidades vale a pena visitar?
Depende de quanto tempo você tem. Acho que a combinação Moscow e São Petesburgo é perfeita pra uma primeira viagem à Rússia.
São Petersburgo é conhecida como a veneza do norte e é a cidade mais europeia da Rússia, afinal foi construída para ter esse característica. Cheia de canais, construções francesas e italianas, artistas de rua e um dos melhores (e mais bonitos!) museus do mundo, a cidade não pode ser deixada de fora do roteiro.
Moscow, por sua vez, é uma cidade incrível, gigantesca (cerca de 12 milhões de habitantes) e que nunca dorme. Ela tem toda a imponência russa que eu esperava encontrar por lá: prédios enormes, construções da época comunista, todas as placas e estações de metrô somente em cirílico e claro, a incrível Praça Vermelha, cartão postal com a colorida Catedral de São Basílio e o Kremlin de plano de fundo. Impossível esquecer que se está na Rússia caminhando pelas ruas da capital.

Igreja do Sangue Derramado, São Petersburgo

Igreja do Sangue Derramado, São Petersburgo

 

 

5. Quanto tempo devo passar em cada cidade?
Depende dos seus interesses. Te conheço e sei que você adora um museu assim como eu. Por isso, diria pelo menos 5 noites em Moscow e 5 em São Petesburgo. Eu vou te contar mais sobre os atrativos na próxima carta, mas só pra você ter uma idéia, o Museu Hermitage que fica em St. Petesburgo está entre os 10 melhores do mundo e tem uma coleção gigantesca, e vai te exigir pelo menos um dia pra visita. Excluindo esse, as duas cidades tem ainda mais 5156468461 museus, igrejas e atrativos, sem contar os bares e baladas. Então, se você quiser aproveitar um pouco das duas coisas, melhor reservar pelo menos 10 dias.

Uma das torres de Lenin, centro de Moscow

Uma das torres de Lenin, centro de Moscow

6. Vale a pena combinar outros países?
Só se você tiver bastante tempo. Acho que Rússia é um país que merece ser explorado individualmente, mas entendo a vontade de querer fazer mais coisa quando se está tão perto de outros países e quando se paga tão caro pela passagem para o outro lado do mundo.
Eu passei 11 dias na Rússia, basicamente 5 em cada cidade e acho que consegui conhecer bem e com tranquilidade os lugares que escolhi, e até teria ficado mais se pudesse. Por isso, se quiser combinar outros países diria para reservar pelo menos 20 dias e escolher cidades no leste europeu com fácil conexão com a Rússia (dá uma olhada nos transportes no item 1 e se precisar de ajuda aqui, me avise!).
Sou adepta de roteiros bem feitos e com calma, onde você aprecia o máximo de cada lugar ao invés de correr pra conhecer 10 capitais em 10 dias.

Depois eu te mostro todos os sites que salvei nos meus favoritos e que me ajudaram a colher muita informação antes da viagem ta?

Se precisar de qualquer dica, me avisa!
Beijo grande,
Ana

P.S.: To te mandando em anexo a lista das cias de ônibus e trem que fazem o link entre Europa e Rússia, acho que pode te ajudar 😉

Companhias de ônibus entre Leste Europeu e Rússia:
Eurolines – http://www.eurolines.com/en/
Lux Express – http://www.luxexpress.eu/en
Simple Express – http://www.simpleexpress.eu/en
Ecolines – https://www.ecolines.net/en/

Companhias de ônibus entre Finlândia e Rússia:
Matkahuolto – https://www.matkahuolto.fi/en/
Sovavto – http://www.sovavto.ru/eng/7.html
Savonlinja – http://www.savonlinjat.fi/en
Pohjolan Liikenne – https://www.pohjolanliikenne.fi/cs/pl/en/etusivu_en

Trens
Finlândia – Rússia: https://www.vr.fi/cs/vr/en/russian_timetables
Paris – Moscow (via Berlin e Varsóvia):
http://www.raileurope.com/european-trains/paris-moscow/how-to-book.html
http://moscow-paris.ru/index_en.html
Rzd (cia de trens russa que faz trechos internacionais e internos): http://pass.rzd.ru/main-pass/public/en

Escrito por Ana

Ana Carolina, 22 anos, formada em Turismo pela ECA/USP. Mascote da turma desde que se conhece por gente e atrapalhada de nascença, sempre foi sonhadora e teimosa (no bom sentido), com um pézinho (ou dois) nas nuvens. Completamente apaixonada por viagens, largou trabalho e estabilidade para ir atrás daquilo que lhe faz feliz e morar no país que faz seus olhos brilharem desde os 12 anos de idade. Natural de São Paulo, atualmente mora em Berlin, Alemanha. O lema que guia sua vida vem do latim: "Memento Vivere, Memento Mori"

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