Sobre: Dicas, Experiências de bordo, Lugares

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“Não mexe conosco, que não andamos só!” – mudando um pouco a frase cantada por Bethânia por uma boa causa: não moça, você não está sozinha. Mesmo quando decide partir para uma viagem (a princípio) “”apenas”” consigo mesma.

Independência, auto conhecimento, necessidade de enfrentar medos: não era nada disso que eu procurava quando decidi fazer minha primeira viagem sozinha. Eu só queria mesmo era ter tempo de visitar tudo o que eu tinha listado para ver em Roma e Milão. Como meu tempo era bem curto (quatro dias), não convidei ninguém – afinal, ia ter que fazer e ir em lugares que a suposta outra pessoa quisesse (mas essa ideia nem passou pela minha cabeça). Puro egoísmo, sim senhoras.

Mas, logo no começo, durante e depois (depois do ponta-pé inicial, fiz outras viagens sozinha), tudo isso veio – e ficou – em mim. E um bocado mais, que hoje me acompanha: desejo de me libertar de algumas amarras, de conhecer pessoas fora do meu círculo social já formado, de me empoderar, de ter a certeza que se eu sou sim – e muito – capaz de fazer a maioria das coisas que eu quiser (e não o contrário, como o machismo de cada dia nos faz acreditar).

 

Isso aqui ó: tudo meu. Ainda fiquei uns 20 minutos sentadinha tomando um dos melhores banhos de sol (tava um frio desgraçado no dia).

Isso aqui ó: tudo meu. Ainda fiquei uns 20 minutos sentada, tomando um dos melhores banhos de sol dos últimos tempos (tava um frio desgraçado no dia).

A Thaís já escreveu um pouquinho sobre o assunto (aqui ó: http://cartasaomundo.com.br/?p=659). Mas decidi também contar um pouquinho do que eu senti…

Por exemplo, como eu disse aí em cima, a delícia de não ficar presa à horários/ir à passeios e restaurantes que não planejava e nem tinha vontade de ir (apesar que isso também pode ser um ponto positivo: descobertas não planejadas, vindas da outra pessoa são, a meu ver, bem-vindas). Você é quem manda e desmanda, quem traça a rota, quanto tempo quer ficar em cada lugar, tudo.

Ficar 20mil horas olhando as flores que você encontra pelo caminho: pode sim.

Ficar 20mil horas olhando as flores que você encontra pelo caminho: pode sim.

Vai descobrir lugares belíssimos, originais, artistas de rua incríveis e vai se maravilhar consigo mesma: o efeito daquele momento vai te causar uma impressão ainda maior – porque você não vai instintivamente trocar opiniões no mesmo momento (ou depois) com outra pessoa. Vai dialogar consigo mesma. E vai ser mágico refletir e sentir tudo isso no teu silêncio. Revelador eu diria :) E vai reparar que não ama tanto assim parar para tirar tantas fotos dos monumentos principais, como seu namorado faz – que seu ritmo é mais líquido, mas que o que te fascina mesmo é parar para olhar portas e janelas das fachadas (coisa que você nunca teve oportunidade de saber sobre si mesma, porque acompanhada simplesmente não tinha o timing pra perceber isso).

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Imaginar o que tem aí atrás, quem mora, já morou, o que faz, fizeram, o que já aconteceu…

 

Uma coisa que aprendi na França e que amei foi a olhar a vida passar. Já gostava de fazer isso desde sempre, durante os percursos percorridos de carro e ônibus, mas aprendi a fazê-lo também parada em algum lugar. Sentada nas várias pracinhas e banquinhos que ia encontrando pelo caminho.

 

Sentei, comi, e fiquei de boa naquela sombrinha delícia.

Sentei, comi, e fiquei de boa naquela sombrinha delícia.

 

E nessas paradas, ouvia trechos de frases ou conversas inteiras entre os moradores e turistas que passavam pela cidade, conhecendo um pouco mais dos passantes – escutando a cidade, viva e dinâmica; o meu entorno, comunicativo que só. E principalmente, que essas paradas não são perda de tempo – a mim ao menos, foram momentos importantíssimos.

 

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Escutando daqui e dali :)

 

E a superar minha timidez, principalmente no que se refere a pedir o que eu preciso – desde coisas essenciais , como direções/ruas, onde encontrar a farmácia mais próxima (já suei frio com isso!) ou um mercado aberto de domingo (acredite, quando você viaja pela França, por exemplo, isso é um desafio) até ‘banalidades’, como, por exemplo, pedir para alguém tirar uma foto em que não só a paisagem apareça, mas eu também, oras (algo que já sabia mas confirmei viajando sozinha: não sei, não tenho as técnica tudo e detesto tirar selfie).

 

Eu e selfie: NÃO. --'

Eu e selfie: NÃO. –‘

 

O que eu sei é que foi bom demais começar a viajar só. Como esse assunto é interminável (e espero que o seja sempre!), hoje falei um pouco sobre meus ganhos, mas ao longo das nossas viagens nós do Cartas vamos contando mais sobre nossas plurais experiências.

Logo mais, para servir de inspiração: há diversas mulheres na história, das mais diversas nacionalidades, que de uma forma ou outra viajaram sozinhas. Umas por prazer, outras pela necessidade.  Comecei a pesquisar o tema há pouco tempo e logo mais postarei alguns nomes que venho encontrando.

 

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E vocês, moças? Contem um pouquinho da experiência de vocês!

ps.: as fotos que eu coloquei no post foram das viagens que fiz sozinha: Paris, Roma, Milão, Bélgica (Bruxelas, Gent e Leuven). Tiveram outras também, como por exemplo Beaune (França) e Genebra (Suíça). E claro, é só o começo :)

 

Até a próxima viagem!

Escrito por Maria Fernanda Marini

Maria Fernanda, 25 anos, formada em turismo pela ECA/USP. Mudar-se de cidade é um "hobby" desde criança. Já viveu em Assis, Curitiba, Castrolanda (Paraná), São Paulo e atualmente mora em Lyon, na França. Apaixonada pelas imaterialidades dos lugares por onde passa: dialetos, culinária, savoir-faire... Grande entusiasta de sistemas de trocas (de roupas, saberes, sofás) e de todo o universo "bio" :)

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