Sobre: Experiências de bordo, Minas Gerais

Oi Gente.

Como vão? Eu vou por aí.

Acho que é razoável começar dizendo que nesses últimos anos vi tanta gente ir embora, voltar, ficar, ir embora outra vez, que achava que já era um tipo de “mestra” em despedidas. Até parece né?! Ninguém me contou que é bem diferente quando é você quem vai.

Não é segredo para os mais chegados que eu por muito tempo tenho pensado em sair de São Paulo. Por mais que eu ame minha cidade, a rotina estava sendo tudo que eu fui e sou, então em busca do que eu não fui ou não sou ainda eu abracei a primeira oportunidade de deixar aquilo tudo pra lá (se tivessem me mandado pra China eu iria, precisava mesmo mudar alguma coisa, qualquer coisa!). Vocês já devem de algum modo ter feito isso, de começar outra vez pra ver o que acontece, e se não; espero que algum dia o façam.

Praça da Liberdade: Belo Horizonte, MG - Fonte: ABH/MG - Associação Brasileira da Indústria de Hotéis

Praça da Liberdade: Belo Horizonte, MG – Fonte: ABH/MG – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis.

 

Por mais pra perto que seja, essa é de longe a viagem mais diferente que eu já fiz, e nem caiu muito a ficha que realmente saí de casa, mas depois volto a te falar das coisas confusas e responsabilidades, vou passar para o que tá sendo muito legal no momento.

Queria te contar que mesmo sem nem sair do Sudeste do país,  já to vendo muita coisa diferente no dia a dia e pra mim esse é um dos pontos que mais me impressiona no nosso Brasil, o como tão perto pode ser tão longe. Cada Estado tem suas próprias características e milhões de sub características, e pra mim é isso que faz do meu país o meu preferido no mundo.

Sobre o Mineiro? Não sei se eu peguei a fundo ainda, mas pode ter certeza que não se resume a “comem pão de queijo no café, almoço e jantar!”. Acho que características mais apropriadas seriam que mineiros são a cara da simpatia (muitas pessoas aqui que eu nunca vi na vida já tentaram me ajudar com coisas que eu nem sabia que precisava de ajuda) e que é uma galera muito festeira; porém super cautelosos.

Não entendi ainda como um pessoal tão receptivo pode ser ao mesmo tempo tão desconfiado, mas quando eu entender essa dicotomia eu conto pra vocês.

Antes de vir, alguns conhecidos não entenderam a minha mudança e logo surgiram aquelas  histórias de  que aqui nem praia tem, que é aqui é roça e etc…  Quanto a isso eu queria dizer que eu tenho gostado bastante de morar aqui! E que BH ainda é cidade grande e  que o “mundo” não se limita a São Paulo.

Outra coisa que me disseram antes de vir, é que eu só ouviria sertanejo, mas a única música que já ouvi muito foi essa (que no começo achei bem breguinha); mas resolvi colocar aqui pois ela responde muito bem o que o Mineiro acha sobre essa tal história do mar:

Morando em SP eu consigo contar nos dedos as vezes por ano que ia pras praias (em muitos anos esse número foi 0),  sempre acabava indo pro Rio, ou toda vez que pensava em ir pra alguma praia perto (Santos ou Guarujá, no caso) desistia só de pensar na 1h de estrada cheia de trânsito, então de verdade, está tudo bem quanto a isso.

E sabe aquela história de que “Deus não dá asa pra cobra”? É verdade! Se aqui em BH (não sei o resto do estado) tivesse um esbocinho que fosse de praia, as pessoas nunca sairiam dela, primeiro pelo fato de que o pessoal bebe muito mesmo e a praia serviria 100% pra isso (juro que sou aprendiz de bêbado aqui, embora perto de paulistas eu ficasse no top 3); segundo, pelo fato de que com o calor que faz, todo dia daria praia (tenho sofrido um pouco com essa história de 40° todo dia!).

Belo Horizonte - Fonte:  www.bhumafotopordia.com.br

Belo Horizonte – Fonte: www.bhumafotopordia.com.br

Outra coisa que eu tenho feito  e não fazia muito, é cozinhar. E acreditem, tem dias que almoçar em casa ao invés de em um restaurante barulhento na Faria Lima faz toda a diferença.

O custo de vida em bairros nobres daqui é metade do que em SP, então no momento moro a pé do trabalho e vou continuar morando quando tiver meu lugarzinho definitivo em alguns meses. Isso é o que mais me anima, afinal, andar a pé em SP é luxo,  fora que BH é uma cidade aonde o motorista em geral (carro privado/ônibus / táxi), dirige como se não houvesse farol, calçada ou faixa de pedestre. Então parece uma ótima decisão ficar a pé mesmo!

Não reclamem tanto da velocidade reduzida nas marginais, poderia ser bem pior viu?¹

Mineiros no Trânsito (Brinks nem é, mas tá quase!) - Fonte: www.oborga.com.br

Mineiros no Trânsito (Brinks nem é, mas tá quase!) – Fonte: www.oborga.com.br

 

Enfim, queria finalizar dizendo que  a experiência de ter saído de casa tem sido bem feliz, embora bem diferente do que imaginei. Veja que por alguma gracinha do universo, aqui em BH trabalho na Rua Rio de Janeiro (Rio é um dos meus lugares preferidos no Brasil) e estou bem inclinada a morar em uma rua paralela, que adivinha só? Se chama Rua São Paulo (meu local de origem).

Inclusive, BH é uma cidade levemente planejada e algumas ruas aqui seguem a lógica de uma parte do mapa do Brasil, achei o máximo quando percebi:

– R.Curitiba (Paraná) / R. São Paulo / R. Rio de Janeiro / R. Espirito Santo / R. Bahia.

Fonte: Google Maps

Fonte: Google Maps

Fonte: Google Maps + Minhas Habilidades em Design - cujas sejam: Paint Brush!

Fonte: Google Maps + Minhas Habilidades em Design – cujas sejam: Paint Brush!

 

Minha ideia principal ao sair de casa era fazer algo completamente diferente, então eu vim pra cá querendo mudar tudo, só que de algum jeito essa história das ruas “trabalho X casa”, me lembrou que eu literalmente fiz esse percurso São Paulo/Rio e vice versa tantas outras vezes nesses últimos anos que isso não deve ser  só coincidência, me lembrei inclusive de alguns outros “percursos”.

Aonde quer que estejamos sempre vamos acabar levando um pouquinho de nós e experiências prévias, e espero que você não se esqueça disso como eu tentei fazer.  Viajar/mudar/conhecer seria bem isso, se reconhecer em um outro espaço, além de ao mesmo tempo interagir e tentar conhecer esse tal de “outro”. Pode ser que nesse  pós encontro , se tivermos olhos atentos e o coração aberto algumas respostas para o tão estimado “o que vim fazer aqui?” apareçam.

Por hoje é só isso mesmo. Se você já tiver passado, passando ou pensando em passar por alguma mudança, me conta! Vou adorar saber como tem sido!  Em breve eu volto pra falar um pouco sobre como agora o Nordeste é mais perto e como os finais de semana nas cidades históricas aqui de Minas Gerais parecem um super programa para viagens mais curtas.

Até Breve,

Carol

¹ – Leis de Trânsito de BH = Feche o Cruzamento / Não respeite o Farol / Não deixe o amiguinho estacionar / Jamais olhe para os lados / Não respeite a faixa e mate o pedestre.

Escrito por Carolina

Carolina Casimiro, 23 anos, formada em Turismo pela ECA/USP. Pondera mil vezes antes de tomar qualquer decisão, exceto quando se trata de suas paixões; como viagens, ou qualquer experiência nova que lhe desafie. Se apaixona perdidamente todos os dias por novos lugares e ama uma boa conversa. É Paulistana mas já quis ser Carioca, Brasiliense ou até mesmo ficar no meio da floresta. Agora decidiu ser Mineira, recém chegada em Belo Horizonte.

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