Sobre: República Checa

Oi amiga,

Recebi sua mensagem perguntando como foi a viagem a Praga e resolvi responder com uma carta porque tenho muita coisa pra contar…Assim eu aproveito também o tempo de espera aqui na rodoviária.

Tenho que concordar com nossos amigos que já visitaram a cidade e que nos diziam como aqui é incrível! Cara, estou apaixonada por esse lugar!
Quando eu estava pesquisando mais sobre a cidade antes da viagem, encontrei algumas frases famosas que citavam Praga e comecei a tentar me imaginar lá. Qual não foi minha alegria ao andar pelas ruas de Praga na noite chuvosa da nossa chegada e notar que estávamos de fato na cidade antiga e cheia de esplendor descrita por Richard Wagner¹?

Vista da cidade do alto do Castelo de Praga Fonte: acervo pessoal

Vista da cidade do alto do Castelo de Praga
Fonte: acervo pessoal

Ruas de paralelepípedos, construções antiguíssimas, catedrais e castelos em arquitetura gótica e renascentista. Nem seria necessário pesquisar as datas de inauguração dos monumentos, a atmosfera da cidade já entregou sua idade de primeira.

Durante essas quatro noites, eu e a Hérika ficamos hospedadas na casa de uma tcheca/francesa que conhecemos pelo Couchsurfing, super gente boa! Simpática, conversou bastante com a gente na noite que chegamos mesmo já sendo madrugada e nos indicou lugares pra comer, beber e trocar dinheiro (depois te repasso todas as dicas!).

Sei que você adora saber sobre gastronomia então lá vai uma listinha das coisas que experimentamos:
– Goulash de carne com Knedlíky (dumplings à base de pão);
– Utopenec (salsichas marinadas com pimentões e cebola crua);
– Česneková Polévka (sopa de alho);
– E o famoso Trdelnik, que sinceramente, comemos pelo menos umas 3 vezes! É tipo um pãozinho super tradicional que pode vir com uma variedade enorme de recheios (incluindo chocolate) ou sem nada. Delicioso!

Trdelnik quentinho recheado com chocolate... Que saudade!

Trdelnik quentinho recheado com chocolate… Que saudade! Fonte: acervo pessoal

Provamos também o que eu acredito ser a melhor cerveja da minha vida, Modrá Luna, em um dos pubs mais legais que já visitei durante todas as viagens!

Dentre tantas experiências incríveis nesse lugar, fica até difícil de imaginar que passamos por algumas situações constrangedoras também. Nem sei como te contar isso porque, bom, era algo que não queria que tivesse rolado, mas acho importante não deixar passar em branco.

A sensação que tivemos em vários lugares da cidade foi que estávamos sendo abusadas e observadas constantemente, como se fossemos parte dos atrativos turísticos. Acho que nunca me senti assim em nenhum lugar do mundo, mesmo já tendo viajado bastante e mesmo sabendo que no Brasil muitas vezes os caras podem passar dos limites.

Você pode até estar se perguntando agora se essas situações aconteceram quando estávamos andando sozinhas em uma rua escura à noite. Infelizmente te digo que foram em vários horários e lugares distintos: à tarde, às 14h, na ponte mais movimentada da cidade; à noite no caminho pra balada, e também dentro da balada. Homens que acharam que podiam se aproveitar de nós pelo simples fato de sermos MULHERES e turistas. Homens que ultrapassaram os limites de onde deveriam estar com as suas mãos naquele momento.
Em um dos dias, que acho que foi o mais complicado, nós choramos. Estávamos em uma das cidades mais lindas da Europa, chorando. De tristeza, de desgosto, por nos sentirmos violadas.

Não estou te contando isso pra te deixar em pânico ou pra dizer “não visite Praga”, mas sim porque toda e qualquer experiência desse tipo deve ser compartilhada pra que você e as pessoas a quem você mostrar essa carta possam saber que essas coisas infelizmente ainda acontecem. No Brasil, na América do Sul, na Europa, nas ruas de Praga.

Nada disso apagou a ótima viagem que tivemos na capital da República Tcheca, mas obviamente preferíamos que não tivesse acontecido.

Há alguns minutos passamos pela Ponte Carlos pela última vez, nos despedindo mentalmente da cidade.
Por conta da garoa, a quantidade de turistas diminuiu consideravelmente, mas ainda assim estavam presentes em grande número. Acho que a ponte só fica vazia mesmo depois que escurece e antes do Sol nascer no dia seguinte…

Agora estamos a caminho da rodoviária onde pegaremos o ônibus de volta pra casa e a chuva continua. Acho que a cidade quer se despedir da gente do mesmo jeito que nos recebeu…

Veja que não te contei essas experiências porque quero passar a ideia de que Praga é uma cidade assustadora. Muito pelo contrário, Praga é uma cidade linda, cheia de vida em cada uma de suas ruelas e que nos contava uma história diferente toda vez que nos perdíamos em suas esquinas.

Praga e suas ruelas... Fonte: acervo pessoal

Praga e suas ruelas…
Fonte: acervo pessoal

Te contei pois fica muito difícil responder a sua pergunta de “como foi a viagem à Praga?” com um simples resumo dos atrativos e coisas incríveis que vimos e experimentamos aqui, entende? Praga foi uma experiência louca, intensa, diferente. Teve seus pontos altos e baixos, como já te contei um pouco na carta. Mas foi tudo isso que construiu nossa história em Praga e não poderia deixar de te contar.

Agora eu vou correr pra não perder o ônibus, mas na próxima carta eu te mando todas as dicas preciosas que reunimos durante esses 4 dias na República Tcheca.

Nashledanou²!

P.S.¹: A frase que citei no começo da carta é “The ancient splendor and beauty of Prague, a city beyond compare, left an impression on my imagination that will never fade.” e foi escrita por Richard Wagner, maestro, compositor, diretor de teatro e ensaista alemão nascido em Leipzig.

P.S.²: Até logo em tcheco, acabei de aprender com meu guia de conversação pra viagens na Europa haha

Escrito por Ana

Ana Carolina, 22 anos, formada em Turismo pela ECA/USP. Mascote da turma desde que se conhece por gente e atrapalhada de nascença, sempre foi sonhadora e teimosa (no bom sentido), com um pézinho (ou dois) nas nuvens. Completamente apaixonada por viagens, largou trabalho e estabilidade para ir atrás daquilo que lhe faz feliz e morar no país que faz seus olhos brilharem desde os 12 anos de idade. Natural de São Paulo, atualmente mora em Berlin, Alemanha. O lema que guia sua vida vem do latim: "Memento Vivere, Memento Mori"

1 Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *