Sobre: Experiências de bordo

Oi pessoal,

Acho que a grande maioria de vocês já deve ter ouvido falar no Couchsurfing e sobre como é possível não só ter estadia gratuita, como também conhecer realmente o destino e ter o máximo de experiências com nativos e a cultura local.

Essa rede virtual de hospitalidade  foi feita para que pessoas do mundo inteiro pudessem oferecer um colchão ou um sofá para viajantes que precisam de um lugar para ficar. Além disso, no website podem ser compartilhadas experiências e dicas por meio de grupos e até mesmo eventos criados pelos usuários.

Diversas pessoas que não tem como acolher o viajante, muitas vezes acabam oferecendo passeios pela cidade em que vivem e reservam um tempinho do seu dia para conhecer uma nova pessoa e uma nova cultura, e mostrar a ela como vive e quais locais frequenta um nativo dali.

No ano em que estive na Europa tive minha primeira experiência de couchsurfing, além de algumas outras que acabei realizando durante o ano em que morei lá. Quero contar para vocês um pouco como foi e quero, principalmente, acalmar vocês, meninas, que normalmente possuem muitas dúvidas sobre a segurança desse tipo de experiência e sobre como fazer esse tipo de viagem dar certo.

Ao criar um perfil no website é importante que o deixe atualizado com as principais informações sobre a sua personalidade, hobbies, idiomas e nível de compreensão, interesses etc. Afinal, ao oferecer ou pedir estadia, a pessoa que ler seu perfil vai querer entender quem é você e quais são suas características em comum.

Caso se interessem em receber viajantes em sua casa é essencial que também deixem detalhado em que local a pessoa irá dormir, quantas pessoas vocês estão dispostos a acolher e as condições e regras da casa. Dessa forma dificilmente haverá mal entendidos e a experiência será boa para todos!

 

Nice

Nice, França. Fonte: Acervo pessoal.

Minha primeira experiência aconteceu em Nice, no sul da França. Fiz a viagem com um amigo e fomos hospedados por alguns dias. Era uma experiência nova para nós dois e fiquei surpresa com a confiança com que fomos recebidos.

Logo que chegamos o nosso couch nos entregou uma cópia da chave do apartamento e disse que poderíamos sair e entrar a qualquer hora. Infelizmente ele estava trabalhando bastante naquela semana e não pôde nos acompanhar nos passeios, porém nos recebeu muito bem e sempre tinha um tempinho à noite para que jantássemos juntos e nos conhecêssemos melhor.

Aspirante a fotógrafo, nosso couch adorava nos mostrar as fotografias que havia feito, assim como conversar sobre arte. Adorou descobrir que eu estava cursando uma matéria de cinema em Roma e tivemos conversas muito boas sobre isso. A importância de ler o perfil do couch que irá te receber se dá nesse momento. Quanto mais assuntos e gostos em comum vocês tiverem, melhor será sua experiência.

Além disso, ao mostrar que você leu o perfil da pessoa e realmente se interessa por quem ela é aumenta as chances de ter sua solicitação de estadia aceita.

 

Amsterdam

Amsterdam, Holanda. Países Baixos. Fonte: Acervo Pessoal.

Minha segunda experiência aconteceu em Amsterdam em uma viagem que realizei com a Thaís. Apesar de todas as referências positivas que lemos no perfil do nosso couch, infelizmente, durante a estadia sentimos que o mesmo tinha uma imagem errada de brasileiras e de mulheres que fazem couchsurfing em geral.

Em nenhum momento ele nos tocou ou foi agressivo, porém só o fato de ser inconveniente com algumas perguntas do tipo “É verdade que as brasileiras são fáceis?”, já fez com que nos sentíssemos desrespeitadas e que o interesse não era sobre quem realmente somos e sobre nossa cultura, mas sim um interesse com segundas intenções.

Acho importante, caso vocês passem por situações parecidas, mostrarem que existem estereótipos que não são bons e que podem desrespeitar quem os ouve.  Não há problema em existir interesse entre couchsurfings, isso acontece muito, porém acho que envolver uma cultura e estereotipá-la traz malefícios a todos, principalmente às mulheres que viajam sozinhas.

Muitos agora vão se perguntar se ainda vale a pena ser um couchsurfer com o risco de passar por casos assim. Porém, corremos esse risco em qualquer lugar, seja na rua, em uma festa ou em um hostel/hotel pelo qual você está pagando. Talvez em alguns casos o risco seja menor, porém sempre vai existir.

O conselho que eu dou é sempre verificar as referências dos usuários aos quais vocês irão pedir estadia, e dar preferência àqueles que possuem somente referências positivas. Se o couch for homem, prestem atenção àquilo que as garotas que já foram hospedadas por ele estão dizendo. Caso ele tenha referências negativas é importante considerar o motivo de tal pessoa as ter recebido e se você realmente quer correr o risco de passar pelo mesmo.

 

“Ainda não tenho nenhuma referência, vou conseguir alguém para me hospedar?” é uma das perguntas que ouvi diversas vezes.

Antes de minha primeira experiência eu pedi a algumas amigas que já haviam viajado comigo e que eu já havia recebido em minha casa para que me avaliassem no website. Além disso, tentei preencher meu perfil da melhor maneira possível. Sempre haverá alguém que irá confiar em você e te receber pela primeira vez, e com essas dicas fica mais fácil da experiência ser boa.

Outro conselho que eu dou é sempre verificar o local em que a pessoa mora, para ter certeza de que não é muito longe dos lugares que você quer visitar da cidade. Pois isso pode fazer com que você acabe gastando mais com transporte e tenha que voltar antes para a casa devido os horários de ônibus, trem ou metrô.

Após a experiência de Amsterdam, fui hospedada também em Praga, Viena e Budapeste, assim como recebi duas brasileiras em Roma. Não tive qualquer outro tipo de problema nessas viagens e, pelo contrário, pude me divertir muito, além de conhecer coisas que nunca descobriria sozinha sem a ajuda de um nativo.

Apesar da estadia no couchsurfing ser gratuita é importante que vocês não enxerguem os couchs como hospedagens, mas como pessoas únicas e que podem agregar muito. Um gesto de agradecimento é sempre bem vindo, tanto como um janta, como um simples chocolate de presente.

Muitas vezes eu preparei caipirinha ou brigadeiro para meus couchs, todos amaram! =D

Espero que essa carta possa servir como um empurrãozinho para que vocês tenham muitas experiências e conheçam muita gente interessante mundo afora!

Abraços,

Ingrid.

PS: meninas, existe um grupo no Facebook chamado Couchsurfing das mina em que garotas de vários lugares do Brasil oferecem e pedem estadia, assim como dão diversas dicas de viagem. =) é uma boa oportunidade para viajar sem medo por todo esse nosso lindo país!

Escrito por Ingrid

Ingrid, 23 anos, formada em Turismo pela ECA/USP tem como paixão a cultura brasileira e italiana. Morou um ano em Roma, onde estudou antropologia e cinema italiano. Apaixonada pelas sete artes, desenha, escreve e pinta nas horas vagas. Porém o cinema é o seu grande amor. Curiosa, adora entender novas culturas e costumes. Natural de Piracicaba, SP, porém atualmente vive em São Paulo, capital.

3 Comentários

Luiz

Oi Ingrid, adorei seu post para pessoas que querem começar a receber ou viajar pelo CS. Também já usei muito na Europa, na America Latina, e até dentro do Brasil. 90% das minhas experiências foram muito positivas, e a viagem tem outro sentido quando apresentada pelos nativos da área que vc vai turistar. Super apoio e aconselho as pessoas a usar essa ferramenta maravilhosa, e o brigadeiro realmente faz muito sucesso.
A questão sobre segurança é super de boa,já fui hospedado por homens, mulheres, casais, repúblicas e famílias. Os hosts são sempre muito gentis e tem uma mentalidade de mochileiro mesmo.. A única coisa que as vezes me incomoda é a questão de que aqui no Brasil principalmente as pessoas acham que o CouchSurfing é um Tinder da vida.. e uma vez realmente passei por um constrangimento de ser hospedado por um cara e ele ficou me xavecando. Nada contra pessoas que gostam do mesmo sexo, mas realmente me foco 100% nas minhas viagens sem segundas intenções, então foi bem complicado passar por esse mal-entendido.
Mesmo assim faz parte da experiência de auto-conhecimento e lidar com as adversidades. Ainda assim valeu e enviei uma referência positiva para todos que me hospedaram: Aliás algo muito importante, pois quanto mais referências positivas tivermos, mais fácil outras pessoas te hospedar no futuro. É isso! Valeu ingrid, adorei seu post.

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Ingrid

Oi Luiz! Fico muito feliz que tenha gostado! Sim, infelizmente nos deparamos com algumas adversidades e mal entendidos pelo caminho, mas o importante é mostrarmos que estamos ali pela experiência de conhecer uma cultura e um lugar novo. Como você mesmo disse, lidar com esse tipo de situação nos ajuda a crescer e também nos ajuda a mostrar a outros viajantes novos pontos de vista e maneiras de encarar uma viagem e o próprio Couchsurfing. Agradeço por ter compartilhado sua experiência com a gente! Abraço, Ingrid.

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