Sobre: França

Oi Pri! Que saudades!

Eu não poderia começar meu primeiro post de outra forma, senão falando da cidade que você me ajudou a escolher para fazer parte do meu tão sonhado intercâmbio! Como você sabe, no início, minha única certeza era de que eu iria para França, mas não sabia qual cidade, por isso pedi mil sugestões. Claro que minha primeira opção era… Paris! Mas logo que comecei a ver quanto dispunha com gastos mensais tive que dispensá-la – e foi a MELHOR coisa que eu fiz!

Graças às suas dicas de ex-moradora (e muita pesquisa, claro), vi que Lyon seria (e foi!) perfeita para mim.

A cidade natal do piloto e escritor Saint-Exupéry tem uma ótima localização, pois fica no sudeste da França, em uma região chamada Rhône-Alpes, de onde é possível visitar os mais diversos cenários: desde atrativos naturais, como a Réserve Naturelle des Gorges de l’Ardèche, as queridinhas Chamonix (ideal para quem curte neve!) e Annecy (onde nadei no lago mais maravilhoso da França)…

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Um pouquinho do charme de Annecy! Fonte: arquivo pessoal.

… até fortificações históricas (caso da pequena e bela Pérouges) e de arquitetura e importância nacional, como o Domaine de Vizille (vou escrever mais sobre esse “achado” que me rendeu maravilhosas lembranças!). Além disso, fica pertinho da Suíça (Genebra está a duas horas) e o acesso é bem fácil à região da Bourgogne (uma de minhas preferidas na França, com pratos deliciosos e paisagens campesinas) e ao sul da França, com suas famosas praias.

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Vista da Abbaye de Cluny para as montanhas. Tem como não amar a Bourgogne? Fonte: arquivo pessoal.

 

Mas a razão (uma delas, já que falar de Lyon para mim é algo que me empolga!) de te escrever essa carta é não só contar um pouco da minha visão sobre esse lugar que tão bem me acolheu como dizer como eu redescobri uma de minhas paixões: pedalar! Paixão esta que começou quando morava em Castrolanda (no Paraná), onde eu e meu vizinho passávamos as tardes e finais de semana pra cá e pra lá com nossas bikes.

Vivendo em São Paulo aposentei completamente a magrela (fato que está para mudar com as possibilidades que vêm surgindo), mas em Lyon pude reviver a gostosa sensação de vento no rosto e sangue correndo nas pernas. Isso porque, apesar de ser uma das maiores cidades da França (a segunda depois de Paris), guarda ares de cidade pequena – tudo é pertinho e muito acessível!

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Vista ‘de la Saône’, tirada em uma de minhas últimas tardes tranquilas de domingo como moradora de Lyon! Fonte: arquivo pessoal.

 

Nos primeiros meses, fazia tudo de metrô (acho que você concorda que o TCL, sistema integrado de metrô, trem e ônibus funciona bem, não é?). Depois, descobri que não só há ciclovias por toda parte (são bem sinalizadas), mas estações de locação também em todos os cantos da cidade. Além disso, as bicicletas são fáceis de locar: a célebre “Vélo’v” fica disponível 7 dias por semana, 24 horas por dia! O cadastro para utilização pode ser feito através do site (http://www.velov.grandlyon.com/).

Para quem planeja ficar alguns meses na cidade, essa belezinha de facilidade custará 15 euros por ano (para aqueles que têm entre 14 e 25 anos; acima dessa idade são 30 euros), podendo ser usada até 30 minutos free (ou seja, é mais barato que comprar uma bicicleta – e ainda vem com uma trava de segurança). Afinal, economia é sempre muitíssimo bem-vinda! 😀

Há ainda a opção de locação por dia: 1,50 euros podendo ser usada durante 24 horas ou o ticket de 5 euros para utilização de sete dias (sendo 30 minutos por trajeto free). Esses “30 minutos free” significam que, a cada vez que você pega a bicicleta em uma estação, pode pedalar 30 minutos sem cobrança adicional (depois você pode ou continuar com a mesma e pagar um pequeno custo adicional por hora ou devolver a bike e pegar outra – trocá-las na verdade, tendo direito a mais 30 minutos ‘free’ – avisei que economia é sempre bom, não?).

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À esquerda, painel de acesso ao aluguel da vélo’v (há possibilidade de acesso em francês e inglês) e à direita… elas! (Fonte das fotos acima: arquivo pessoal).

Mais atenção: é preciso cuidado ao trocá-las ou deixá-las nas estações: certifique-se sempre que estão bem encaixadas nas travas de devolução (na foto da direita é possível observar o lugar de encaixe). É preciso que a luz verde acenda e que o “bip bip” seja ouvido (caso fique mais seguro, imprima um ticket de devolução). Do contrário, preciosos 150 euros serão descontados da sua conta.

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Lyon fica incrível na primavera: a cidade fica com flores em absolutamente todos os cantos! É lindo! No inverno também há flores: olha elas aí :) Fonte: arquivo pessoal.

É realmente muito fácil pedalar em Lyon – e uma maneira incrível e libertadora para conhecer a cidade de outro ângulo. E, bem, com outras cores e luzes (que não as subterrâneas, do metrô).

Sei que você se apaixonou por Lyon e deve estar com saudades também! Espero que a gente consiga voltar ano que vem juntas para dar umas voltinhas de vélo’v… Até mais!

Escrito por Maria Fernanda Marini

Maria Fernanda, 25 anos, formada em turismo pela ECA/USP. Mudar-se de cidade é um "hobby" desde criança. Já viveu em Assis, Curitiba, Castrolanda (Paraná), São Paulo e atualmente mora em Lyon, na França. Apaixonada pelas imaterialidades dos lugares por onde passa: dialetos, culinária, savoir-faire... Grande entusiasta de sistemas de trocas (de roupas, saberes, sofás) e de todo o universo "bio" :)

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