Sobre: Amazonas

Oi Gente,

Tudo bem?

Eu já vou logo me desculpar pelo tamanho dessa carta, mas acho que não poderia ser muito diferente do que isso quando se trata de um dos itens já realizados da sua Bucket List.

Quando eu era uma criança curiosa, os melhores dias na escola eram sempre os que se falava de sacis, da caipora, do curupira, do boto cor de rosa e da vitória régia que flutuava nos rios… Era até engraçado o quanto me interessavam essas coisas…

Em 2008 no segundo colegial, na época que eu nem sabia o que faria da vida (não que eu super saiba agora), resolvi escrever minha primeira Bucket List, e um dos primeiros ítens (entre estudar na USP e experimentar um voo livre) estava esse: Conhecer a Amazônia.

Eu nunca me arrependo de escrever as coisas em um papel sabe? Sou daquelas pessoas que acreditam sim que o que está ali anotado sempre se realiza, e é verdade. 5 anos depois desse mero papel de desejos, lá estava eu em Julho de 2013 no avião chegando em Manaus, para umas das viagens das quais eu me lembraria e teria saudades todos os dias da minha vida a partir daí.

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Lembro bem desse momento no qual tirei essa foto, era um misto de “finalmente chegaram as férias” + “não acredito que estou mesmo aqui, vou conhecer a Amazônia”. Mais tarde eu descobriria que essa segunda era uma coisa boba de se pensar ou até mesmo de se ter escrito em um papel, ninguém de fato conhece a Amazônia… Você no máximo visita uma partezinha ínfima dessa imensidão toda, se um dia você for pra lá, vai entender o que eu digo por imensidão.

Só para ter uma ideia, nós dividimos uma das nossas maiores riquezas com mais oito países, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Suriname, Equador, Guiana e Guiana Francesa. Fora que só a Amazônia Brasileira já corresponde a aproximadamente 61% do nosso território (Pará, Maranhão, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Acre, Amapá, Roraima e Rondônia).

Então assim, as possibilidades para se visitar essa maravilha são infinitas e a maior parte dos brasileiros ainda não foi pra lá! Em parte eu entendo, pois é uma viagem cara (na época eu não tinha aluguel nem conta de luz pra pagar, então ok).

Sei também que mesmo se formos pensar da maneira mais econômica possível não sai tão barato, mas vamos aproveitar que o câmbio tá disparado e conhecer mais esse país maravilhoso?

Eu fui pra lá a partir de Manaus, no Amazonas, que em sí já é uma cidade que te passa uma introdução que você está prestes a entrar finalmente no meio da floresta.

Depois de me hospedar em Manaus peguei um carro por umas 4h e cheguei ao Lodge na floresta, especificamente no Arquipélago de Anavilhanas, aonde (ainda bem) nem celular pegava direito.

Existem várias maneiras de se hospedar na floresta, como citei ali em cima, nove dos nossos estados nos propiciam essa oportunidade, então a logística vai depender muito da parte da Amazônia que você escolher. Têm locais que você chega de carro, de carro + barco, só de barco, só de hidroavião, enfim… Se precisar de ajuda com isso, só chamar. 

Praia da Ponta Negra, banhada pelo Rio Negro em Manaus.

Praia da Ponta Negra, banhada pelo Rio Negro em Manaus.

Teatro de Manaus.

Teatro de Manaus.

Antes que você embarque nessa aventura, tenho 2 coisas importantes pra contar, dois fatores que você deve considerar. O primeiro seria referente a época do ano, que não são 4 como estamos acostumados, são apenas 2, época da cheia e época da vazão dos rios.

A floresta Amazônica em si é quente e úmida todo o tempo, porém o período da cheia dos rios é consequentemente o período das chuvas (Dezembro a Maio), época na qual a experiência pode ficar comprometida, pois todas as atividades , como trilhas, canoagens, pesca recreativa, arco e flecha e focagem noturna de animais são a céu aberto, então seria um belo de um problema estar no meio da floresta querendo passar o dia explorando tudo e chover.

Fora que com tudo alagado na época da cheia, as chances de você se deparar com animais terrestres é bem menor. Já Junho a Novembro (época da vazão dos rios) é o período ideal para sua viagem.

Se eu fosse te indicar um mês para visitar a floresta, eu te diria Setembro. Fui em Julho e apesar de não ter chovido nenhum dia o nível das águas ainda estava bem alto nos igarapés (só as copas das árvores pra fora).

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O segundo ponto importante é escolher uma cor de água, pois isso vai influenciar bastante na sua experiência. Na Amazônia exitem três tipos distintos de rios, os de água barrenta como o Rio Solimões e Juruá; os de Água Negra como o Cristalino e Rio Negro, e os de águas brancas e límpidas como o Tapajós e Xingu.

Nem mesmo os rios barrentos ou negros são sujos, muito pelo contrário, essas características são de acordo apenas com a formação dos mesmos e os sedimentos naturais que os compõem. Só que se você quiser nadar no rio, por exemplo (e você vai querer, por mais amedrontador que te pareça), rios de águas barrentas podem ser um pouco incômodos pois você sai um pouco “melecado” e nos rios de água negra você simplesmente mergulha e não vê absolutamente nada, e nem quem está fora te vê, dá um pouco de medo.

Nesse caso talvez escolher uma região de águas límpidas seja mais interessante, porém pra isso você com certeza vai ter que se deslocar bastante para os “meios” da floresta, pois esse tipo de rio existe em uma proporção muito menor que os demais. Se isso não for possível, na hora de optar por uma região eu te indicaria que optasse pelas águas negras (eu nadei no Rio Negro e to aqui vivinha escrevendo).

Te digo isso não só pela questão de não se melecar na água, mas pelo fato de que regiões assim praticamente não têm muitos insetos incômodos, isso acontece pois o PH da água negra é ácido. Para o ser humano não faz diferença, mas para a proliferação de mosquitos faz. Juro que em nenhum dia eu usei repelente, nem mesmo nas trilhas em mata fechada, então se for sua primeira vez na Amazônia e você não quiser ficar se coçando o tempo todo, vale considerar esse ponto. 

Pôr do Sol no Arquipélago de Anavilhanas.

Pôr do Sol no Arquipélago de Anavilhanas.

Rio Negro espelhando a copa das árvores.

Rio Negro espelhando a copa das árvores.

Comunidade Cabocla Ribeirinha.

Comunidade Cabocla Ribeirinha.

 

Proteção para trilhas.

Proteção para trilhas.

Focagem noturna.

Focagem noturna de animais.

 

Meu quarto com vista floresta.

Meu quarto com vista floresta.

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Casa Flutuante.

Casa Flutuante.

Nascer do Sol.

Nascer do Sol.

Boto.

Boto.

Larvas e sobrêvivência na selva.

Larvas e sobrêvivência na selva.

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Urucum.

Urucum.

Rio Negro.

Rio Negro.

Nascer do Sol.

Nascer do Sol.

Sobre a viagem em si, acho que eu nunca vou ter palavras suficientes pra descrever a experiência. Eu particularmente gosto muito de natureza, não necessariamente de praia, me coloca no meio do mato que com certeza é felicidade certa. Então eu poderia passar horas aqui dizendo como o nascer e pôr do sol na Amazônia são as coisas mais impressionantes de bonitas que eu já vi na vida; como eu e o Gustavo adorávamos pegar uma canoa e sair remando no fim da tarde (mesmo sem saber remar); falaria do medo que eu senti quando fomos a noite fazer uma focagem de animais e entrei naquele barquinho em um breu completo só com os sons da natureza, a lanterna do guia e uns olhinhos de jacarés brilhando vez ou outra no caminho; poderia falar da aula de sobrevivência na selva e da larva que tem gosto de manteiga (sim, eu comi, na época eu não era vegetariana); dos botos gigantes e como eu mal ousei chegar perto deles…

Enfim, as lembranças são inúmeras e com certeza foi uma das melhores viagens que eu já fiz.

Tenho planos de voltar, mas da próxima vez para a Amazônia Mato Grossense… 

Volto em breve e se você tá pensando em ir pra Amazônia, ou já foi, me conta que eu vou adorar saber! 

Bjs, 

Carol.

Escrito por Carolina

Carolina Casimiro, 23 anos, formada em Turismo pela ECA/USP. Pondera mil vezes antes de tomar qualquer decisão, exceto quando se trata de suas paixões; como viagens, ou qualquer experiência nova que lhe desafie. Se apaixona perdidamente todos os dias por novos lugares e ama uma boa conversa. É Paulistana mas já quis ser Carioca, Brasiliense ou até mesmo ficar no meio da floresta. Agora decidiu ser Mineira, recém chegada em Belo Horizonte.

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