Sobre: Rio Grande do Sul

Oi Meninas,

Tudo bem?

Primeiro queria dizer que foi ótimo passar um tempinho com vocês em São Paulo (Ingridinha, Mafê, Thatá) antes de embarcar para o Rio Grande do Sul. Ainda bem que não tinha voo direto de Belo Horizonte pra Porto Alegre, estava com saudade de vocês.

Aninha, comentei com você que aqui a Oktoberfest é em Outubro, né?  É a primeira vez que eu  me interesso de fato pela presença da cultura Alemã no Brasil , tanto por você e Herikinha só falarem de Alemanha nos últimos tempos, quanto por ter amado Berlim loucamente, e um pouco por conta da Copa do Mundo também.

Queria muito ter ido pra Munique com você esse ano, mas já tinha ido pra Alemanha em Abril. Com tantas mudanças que eu andei fazendo ultimamente, acabei não conseguindo tirar todo o resto das minhas férias, então resolvi pegar pelo menos uma semana, na qual aproveitei para passar o final de semana no Sul do Brasil, especificamente em Santa Cruz do Sul, RS.

Fonte: Google Maps.

Fonte: Google Maps.

Bom, acho que muita gente nunca nem ouviu falar dessa cidade, eu mesma conheci de nome somente no começo desse ano pois uma amiga de infância se mudou para lá para estudar, a Yv, lembram? Ela falou tanto dessa Oktoberfest na cidade que fiquei curiosa  e resolvi ir para lá.

Praça Principal da Cidade. Fonte: Acervo pessoal.

Praça Principal da Cidade. Fonte: Acervo pessoal.



Santa Cruz do Sul não é muito conhecida por diversos motivos, e para mim os principais são:

É longe… longe para pessoas do Sudeste, do Nordeste, do Centro-Oeste e do Norte então nem se fala!

–  São quase 3h de ônibus desde Porto Alegre, que é o aeroporto mais próximo;

– De Santa Cruz do Sul para o Uruguai = 7/8h de carro (É quase o mesmo tempo de estrada BH/SP, só que para estar em outro país);

– Eu tive que voar Belo Horizonte/São Paulo/Porto Alegre + 2h50 de ônibus pra chegar. Se eu for contar os tempos de espera e locomoções em aeroporto, rodoviárias e etc; digo com certeza que atravessar o Atlântico em um voo BH/Lisboa seria mais rápido.

Eu que já estive no norte do país, vivi 22 anos na maior cidade da América do Sul e agora estive quase no extremo sul, ainda me assusto com o quão grande é esse nosso Brasil.

Mas enfim, queria contar que foram bem legais os dias que passei por lá, claro que tenho algumas ressalvas, mas pra quem quer curtir um pouco desse clima de Oktoberfest sem desembolsar uns belos dinheiros na conversão do Euro ou até mesmo busca algo mais em conta que Blumenau em Santa Catarina (onde acontece a maior e mais famosa Oktoberfest do País), Santa Cruz é sim uma opção interessante.

Aqui no  site oficial dá pra ter uma noção de valor, mas já adianto que a entrada variava de R$ 10 a R$ 20 e os shows de artistas famosos custavam  R$ 60,00 pista, sendo que qualquer estudante do Brasil pagava meia. Achei bem interessantes os preços, levando em conta toda a estrutura do evento.

Desfile Típico. Fonte: Acervo pessoal.

Desfile Típico. Fonte: Acervo pessoal.

Eu comentei sobre Blumenau por lá, mas o pessoal de Santa Cruz me disse que a Oktoberfest deles é a maior e melhor do País, aí eu que fiquei curiosa com essa afirmação, fui procurar.

É de fato a maior do  Rio Grande do Sul e o Parque da Oktoberfest de lá é realmente enorme, mas não encontrei em nenhum lugar oficial a metragem do espaço para comparar com o de Blumenau, mas só por alguns dados estatísticos de  sites oficiais dá pra ter uma noção. Enquanto em Blumenau circulam de 500mil a 1milhão de pessoas só nessa época, Santa Cruz do Sul é uma cidade pequena que tem em média 150mil habitantes, ou seja, não tem como uma cidade desse porte ter uma Oktoberfest maior que a de Blumenau.  Só isso já resolveu minha confusão, que na verdade foi reflexo de questões culturais mesmo.

Enfim, já tinha ouvido algo sobre o sulista ser regionalista e orgulhoso em relação aos seus, então “aqui é melhor”, “aqui é assim”, “melhor do país”, foram coisas que eu ouvi bastante.

PARQUE

Parque da Oktoberfest à noite. Fonte: Acervo pessoal.

 

Bom, falando agora do evento em específico, fui nos dias finais da festa, que esse ano durou de 07 – 18 de Outubro. Cheguei no dia 16  para o final de semana. Antes de falar que o chopp no Parque da Oktoberfest era Brahma, que achei limitadíssima a variedade de cerveja e que fui no show do Lulu Santos, Alok(eletrônica) e ouvi muito sertanejo; queria contar pra vocês algo que o curador cultural da MaiFest¹(que eu não lembro o nome), nos disse lá por 2010:

“Qualquer manifestação cultural no Brasil vai ser assim, um misto, o público Brasileiro não compareceria a um evento 100% sobre uma outra cultura, é preciso que exista um link, uma mescla, o mundo globalizado e o acesso a informação cada vez mais vão ser caminhos para a multiculturalidade, e não só aqui, em diversos locais do mundo”

Isso estava guardado nos meus arquivos, sabia que algum dia ainda precisaria reproduzir. Na primeira vez na vida que saí a campo como turismóloga (estudante na época), essa foi uma fala que me marcou bastante. Marcou pois eu estava me perguntando muito o motivo de apresentações de hip hop estarem acontecendo em uma celebração da cultura Alemã; além de ouvir pessoas conversando sobre  a Maifest ter perdido a “essência”.

 

Barracas de Souveniers e comidas típicas. Fonte: Acervo pessoal.

Barracas de Souveniers e comidas típicas. Fonte: Acervo pessoal.

Esse moço que eu não me lembro do nome não sabe, mas mudou para sempre minha visão sobre qualquer evento temático aqui no Brasil, principalmente os que abordam outras culturas.  É possível unir o que público demanda + aspectos culturais específicos, de modo que a celebração seja um sucesso. Claro que respeitando sempre as tradições abordadas. No final, o que importa é que as pessoas tenham contato com outras culturas ou que relembrem suas origens, independente da motivação para estar no evento.

Em Santa Cruz, teve muita comida e música típica, além do famoso desfile no domingo, mas era durante o dia que aconteciam a maioria das atividades culturais típicas, já  a noite ocorriam os eventos “comerciais”, que sim, reuniam grande volume de pessoas.

Em termos gerais eu me diverti bastante e fiquei muito muito feliz principalmente na noite que fez 10°C, esses 30/40°C de BH me fazem sentir uma falta pesada de um cobertor e um ventinho gelado.

O que eu mais gostei (fora a zueira, claro!) foi de um Cappuccino que tomei na Rua principal² durante o desfile de domingo, dos sorvetes da cidade, de uma cerveja artesanal que vendia na Praça Principal³ e do espaço de “agricultura familiar” no Parque da Oktoberfest, onde os agricultores locais vendiam produtos cultivados por eles próprios.

Desfile de Domingo. Fonte: Acervo Pessoal

Desfile de Domingo. Fonte: Acervo Pessoal

 

SORVETE

Sorvetes Gigantes. Fonte: Acervo Pessoal.

Cerveja Artesanal de Santa Cruz do Sul. Fonte: Acervo Pessoal.

Cerveja Artesanal de Santa Cruz do Sul. Fonte: Acervo Pessoal.

Espaço de Agricultura Familiar. Fonte: Acervo Pessoal.

Espaço de Agricultura Familiar. Fonte: Acervo Pessoal.

 

Esquecí de comentar dos bonequinhos, a “personificação” do Alemão e da Alemã tradicionais, que se tratam dos personagens Fritz e Frida.  Inclusive, esses bonecos desfilam pela cidade e existiam imagens deles em absolutamente todas as lojas possíveis. Em Munique, segundo a Ana, as mulheres usam vestidos tradicionais chamados de “Dirndl” e os homens usam as chamadas “Lederhosen”, já no Sul do Brasil, as meninas se definem como “vestidas de Frida” e os meninos “vestidos de Fritz”.

Eu não sei se é só nessa região do Brasil que existem essas figuras típicas, se tem algo a ver de fato com alguma tradição Alemã, o porque dos nomes, se foi algum casal importante, enfim… Não souberam me explicar e eu não encontrei nada muito profundo a respeito, você sabe de algo Herikinha?*

Fritz e Frida. Fonte: Acervo pessoal.

Fritz e Frida. Fonte: Acervo pessoal.

E não  é só no Sul do país que a Oktoberfest é comemorada, não sei se foi a primeira vez que prestei atenção nisso, mas na cidade de São Paulo, Campinas ou até mesmo em Belo Horizonte, existem eventos menores, que se não der pra viajar para curtir a celebração, são excelentes opções de diversão:

2ª Oktoberfest – São Paulo

Oktoberfest BH (A desse ano já foi, mas fica a dica para o ano que vem!)

 

Já estou com saudade do friozinho do Sul e sofrendo de calor aqui em BH. Espero voltar ano que vem, da próxima vez para a festa de Blumenau.

Sol gigante se pondo na volta para Belo Horizonte. Fonte: Acervo Pessoal.

Sol gigante se pondo na volta para Belo Horizonte. Fonte: Acervo Pessoal.

 

Até Breve,

Carol.

 

¹ – Festa Alemã que acontece todos os anos no bairro do Brooklin, em São Paulo.

² e ³ – Desculpem só colocar Rua Principal e Praça Principal, se um dia vocês conhecerem Santa Cruz vão perceber que não precisa do endereço exato, não tem erro, é realmente cidade pequena.

*Perguntei pra Hérika sobre os bonecos pois pra quem não sabe, a família dela é Gaúcha.

Escrito por Carolina

Carolina Casimiro, 23 anos, formada em Turismo pela ECA/USP. Pondera mil vezes antes de tomar qualquer decisão, exceto quando se trata de suas paixões; como viagens, ou qualquer experiência nova que lhe desafie. Se apaixona perdidamente todos os dias por novos lugares e ama uma boa conversa. É Paulistana mas já quis ser Carioca, Brasiliense ou até mesmo ficar no meio da floresta. Agora decidiu ser Mineira, recém chegada em Belo Horizonte.

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